Wednesday, November 16, 2011

Londres - Dia 9.

Acordei, tomei café, e estava me arrumando para sair quando a campainha tocou. Era uma entrega de um pacote que meu amigo tinha me mandado. Eu ainda estava em São Paulo quando este meu amigo me ligou da Europa dizendo que tinha me comprado algo que "seria útil para a viagem", e que precisava do endereço do meu irmão Los Angeles, para poder me mandar o pacote. Dei o endereço, mas ele não pode mandar. Algum tempo depois ele me contou que o presente era um guarda-chuva. Sabendo o que era o presente que algum dia iria receber, me recusei a comprar um guarda-chuva durante a viagem, até mesmo quando mais precisei. Não tinha um guarda-chuva durante o tufão no Japão, ou durante as fortes chuvas de Singapura, ou em qualquer outro instante que tenha chovido. Assim que cheguei em Londres mandei meu endereço para ele, para poder enfim receber o guarda-chuva e me proteger das chuvas frias do inverno europeu. Hoje, depois de cinco meses, finalmente recebi meu guarda-chuva. Hoje estava um lindo dia lá fora.

Saí e fui até a loja da Apple usar a internet, mas em seguida voltei para casa. Teria que esperar uma outra entrega que estava marcada para acontecer a partir das 2 da tarde. Porém a entrega poderia chegar entre as 2 e as 10 da noite. No caminho de casa passei pelo supermercado para comprar sabão para poder lavar minhas roupas. O apartamento tem máquinas de lavar e secar, então faria isso enquanto esperava pela entrega. Botei tudo para lavar e escolhi um ciclo que chamava cool wash. Costumo lavar minhas roupas com água fria, para assim poder lavar ambas as roupas brancas e as coloridas sem medo de manchar as brancas. Ao lado deste ciclo havia o número 30, então imaginei que demoraria 30 minutos. O tempo passou, passou, e a máquina nunca parava de funcionar. Depois de muito tempo ela enfim chegou na última etapa, e era tão potente que parecia que estava acontecendo um terremoto na casa. Quando enfim as roupas estavam prontas haviam se passado quase 2 horas. O cool wash, que eu imaginei significar que usava água fria, não usava, e deixou todas minhas roupas brancas avermelhadas, mas não foi um estrago. Botei as roupas para secar e esperei 30 minutos, 1 hora, 1 hora e meia, até tudo ficar seco de verdade.

Lavar as roupas tinha demorado quase 4 horas, que eu tinha passado lendo e fazendo outras coisas, e nada de chegar a entrega. Não tinha almoçado, e mais um pouco seria a hora do jantar. Continuei lendo, e lendo. O tempo passou, e passou. Nada. Sem internet é difícil fazer as horas passarem. Mesmo lendo não estava agüentando mais esperar, mas não podia sair com perigo da entrega chegar e eu não estar lá. Depois de esperar por mais de 7 horas, decidi ligar lá para ver se realmente iriam fazer a entrega, mas a central de atendimento já estava fechada.

Chegou dez da noite, a entrega não tinha chegado. Já sabia que todos os restaurantes iriam estar fechados, ou prestes a fechar a esta hora, mas mesmo assim me arrumei para sair. Sabia que o supermercado fechava em uma hora, e sem dúvida eu irai comprar um sanduíche lá. Esta noite etava mais fria que qualquer outra. Cheguei no supermercado, comprei um sanduíche e um saco de batatas e voltei para casa.

Meu dia só não foi um completo dia perdido porque minhas inúmeras horas de espera em vão me fizeram acabar meu livro, finalmente. Estava lendo o ganhador do prêmio Nobel de Literatura "Cem Anos de Solidão" de Gabriel García Márquez, que conta a história da família Buendía na cidade imaginária de Macondo. Já deveria ter lido este livro na escola há uns dois anos atrás, mas não li. Demorei para acabar ele, enquanto um dia li 100 páginas, passei muitos outros sem ler, e outros que li muito pouco. Fiquei feliz de finalmente ler, e adorei.



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