Mesmo tendo a estação de trem mais cheia do mundo a algumas quadras do meu hotel, os trens que viajam pelo Japão e passam por ela apenas vão em direção ao Leste do Japão. Neste mês que tenho a minha frente para viajar e conhecer o Japão, vou apenas viajar pelo centro e pelo Oeste do país. Por esta razão, teria que pegar meu trem para Kyoto em outra estação.
Acordei com calma neste dia. Sabia que haviam diversos trens para Kyoto por dia, todo dia e que a viajem não era muito longa. Não estava com pressa, e poderia sair a hora que quisesse. Porém, tinha que check-out do hotel as 10 da manhã. Com isso em mente, tomei café no próprio hotel. O café da manhã neste hotel era como em qualquer grande hotel: um buffet com uma variedade de coisas, onde você pode comer quanto quiser. A única diferença é que no Japão, o café da manhã não é o mesmo que em qualquer outro lugar. Além das usuais comidas que se acha em qualquer café da manhã, o buffet desde café da manhã continha arroz, peixe, miso shiro, dumplings de porco, saladas de batata, e até pasta. Não sou fã de peixe (a não ser Sushi, peixe cru) e comer pasta com molho de tomate de manhã vai um pouco além demais do que estou habituado. Mas me satisfazia de todo o resto. Junto com o ovo mexido e meu croissaint com geléia, meu iogurte e meu suco de laranja, comia arroz, dumplings e tomava sopa. Tudo isso com a vista do bairro de Shinjuko a minah frente, vista do 25º andar do meu hotel, onde fica o restaurante.
Tendo tomado café, voltei para o quarto, tomei banho me arrumei e saí. Era mais um dia bonito. Bonito e muito quente. Tive que pegar o metrô até a estação de onde pegaria o trem para Kyoto. Levando comigo minha mala e minha mochila, sentia que estava atrapalhando os passageiros do cheio trem desta quarta de manhã. Com tudo que estava carregando, estava ocupando o espaço onde caberia três pessoas. Mas ninguém reclamou comigo, ou fez cara feia.
Chegando na estação, comprei logo minha passagem para Kyoto. O próximo trem saia em meros 15 minutos. Comprei uma passagem sem lugar marcado, por ser mais barata. Isso também significava que poderia pegar qualquer trem. Qualquer trem que saísse das plataformas 14 à 19. Subi então na plataforma 16 onde o próximo trem estava para sair. Um guarda me informou que os lugares não reservados, como o meu, ficavam nos primeiros três vagões. Me diriji então ao terceiro vagão e entrei no trem. Sem ter um ligar marcado, andei até achar um lugar livre. Fui parar no segundo vagão e me sentei ao lado de um garoto Japonês. Havia um espaço em cima do banco onde pude botar minha mochila, e minha mala ficou comigo, parada à minha frente. Peguei meu livro e comecei a ler. Ao meu lado do outro lado do corredor estava sentada uma criança que estava brincando com um elástico. Estava com medo que o elástico iria estourar e voar na minha cara, então enquanto lia, me protegia com o livro. Felizmente isso não aconteceu. Em menos de duas horas e meia estava em Kyoto.
Kyoto estava ainda mias quente do que Tokyo. Na dia anterior tinha carregado um mapa de como chegar no hotel no meu iPad. Saindo da estação de trem, vi um mapa e comparei o meu mapa com aquele. Estava tudo certo, então comecei a andar em direção de onde seria o hotel, seguindo as coordenadas do meu mapa. Andei e andei, e nenhum dos nomes das ruas que passavam estavam no meu mapa (as que estavam escrito em inglês pelo menos). Foi apenas vinte minutos depois que percebi que estava andando na direção oposta do que deveria. Sendo assim, voltei em direção à estação de trem. Estava quente e eu estava andando carregando minha mala e minha mochila. Estava começando e ficar com dor nas costas e começando a ficar encharcado. Não lembro de suar tanto desde, bom, nunca. Francamente, estava irritado.
Cheguei de volta à estação de trem, molhado de suor, irritado e com dor nas costas. Chequei meu mapa mais uma vez e comecei a andar ao hotel, desta vez na direção certa. Ainda na estação, passei por uma ATM e pensei em pegar um pouco mais de dinheiro. Não são muitos os lugares que aceitam cartão de crédito no Japão, e para completar, poucas ATMs aceitam cartões internacionais. Esta era uma delas. Não consegui retirar dinheiro e continuei andando. Passei por uma 7-Eleven e entrei. Sabia que lá iria conseguir retirar dinheiro. E consegui. Uma das opções de língua na máquina era Português, e foi a que eu escolhi. Ao terminar minha transação, a máquina disse "Muito obrigado, espero que você venha mais vezes".
No caminho do hotel me entregaram um leque. Aqui este é um dos modos de propaganda, distribuir leques com propagandas. Em Tokyo eu tinha uma coleção deles. Mas estava carregando tantas coisas que não conseguia me abanar e andar ao mesmo tempo. Cheguei no hotel molhado e irritado. Mas chegando lá tudo mudou. As pessoas que me atenderam foram extremamente simpáticas, e o hotel é ótimo. Pediram para eu sentar e preencher um formulário. Enquanto estava preenchendo, me serviram um chá. Não sabia do que era o chá, e não sou muito fã de chá, mas bebi de qualquer modo. Estava ótimo. Em seguida, me entregaram um mapa de Kyoto, um mapa do bairro e uma revista do que estaria acontecendo esta semana em Kyoto. Tudo muito útil. Para completar, o hotel tem Wi-Fi de graça na recepção. Tudo muito útil.
Mas a parte que me deixou mais feliz e realmente me fez me sentir no Japão foi conhecer o meu quarto. Este hotel que vou ficar em Kyoto é típicamente japonês. O quarto é exatamente o que eu esperaria de um quarto japonês, e eu não poderia ter gostado mais. Chão de tatame, mesas baixinhas, cama de futon (que eu mesmo deveria fazer, afastando a mesa e arrumando a cama), luminárias japonêsa, etc. De um certo, meu quarto até cheirava como o Japão. Estava quase pulando de alegria. Quando fiquei sozinho, senti que poderia passar o tempo todo no quarto, me sentindo um Deus. Por alguma razão estava extremamente excitado.
Tirei minha camiseta ensopada e me troquei. Depois de ficar um bom tempo sonhando acordado no meu quarto, desci para usar a internet. A internet funcionava direitinho, o que é incrível, já que é a primeira vez que tenho Wi-Fi de graça no hotel. Mas, por alguma razão extremamente estranha e enexplicável, o único site que não conseguia entrar era o meu próprio blog. Achei que era um problema do iPad, então tentei entrar no blog usando o computador do hotel, e não consegui. Enquando estava sentado usando o computador do hotel um homem veio pedir minha ajuda. Ele estava tentando mandar um e-mail para sua filha, avisando que tinha chegado bem em Kyoto. Por alguma razão o e-mail não ia de maneira alguma. Ele também tinha um iPad e acho que foi por isso que ele perguntou para mim. Ou talvez por que como ele disse "todo jovem sabe mexer em computadores". De qualquer modo dei uma olhada e não consegui resolver nada. Nisso a mulher dele desceu e nós comesamos a conversar. Eles eram da Austrália e eu contei que tinha acabado de sair de lá e que tinha gostado. Contei da minha viagem e eles acharam muito legal. Também contei que iria estudar cinema e o homem disse "Trabalhei 20 anos com televisão, não faça isso". Bom, no final das contas eu deixei ele usar o meu e-mail e avisar a filha que tinha chegado bem. Ele ficou muito agradecido. Georgia era o nome da filha. No e-mail ele equivocadamente escreveu "George". Eu não avisei ele sobre isso.
Depois de usar a internet, saí do hotel e fui dar uma volta nos arredores, não vi muito, já estava ficando escuro e começou a garuar. Mas meu hotel é do lado de um enorme templo que pretendo visitar. Quando voltei para o hotel, voltei a usar a internet e por sorte, o meu blog havia voltado ao normal. Arrumei o meu quarto, fiz a cama e sai para comer alguma coisa. Comi em um autêntico restaurante japonês. Paguei um pouco mais do que estou acostumado a pagar pelos meus alimentos, mas valeu a pena, comi muito bem. Sentei em frente ao chefe e nós trocamos algumas palavras, as únicas que ele sabia em inglês. Eu o ensinei a falar "obrigado". Em um certo momento durante o meu jantar, ele se sentou e acendeu um cigarro. Não me encomodei. O fato do meu Sushiman fumar na minha frente, entre um prato e outro, algo que eu nunca esperiaria, era estranho e diferente o suficiente para não me encomodar. Muito pelo contrário, gostei de ver isso.
Bem alimentado, voltei para o hotel e apenas li antes de dormir. Demorei para conseguir dormir, demorei bastante. Foi a primeira vez que isso aconteceu desde o começo da minha viagem. Demorei para dormir e quando consegui cair no sono não dormi bem, mas tudo bem. Meu quarto estva quente demais, essa noite vou dormir com o ar condicionado ligado. Espero não ficar doente, não estou acostumado a dormir com ar condicionado.

