Aproveitei minha manhã no hotel em Kyoto já que provavelmente não teria mais acesso a internet de uma maneira tão fácil e conveniente. Tomei café e, depois de usar a internet para tudo que consegui pensar que seria útil, tomei um banho e fiz o check-out. Passei ótimos dias em Kyoto.
Sem ter o que fazer já que estava com minha mala e minha mochila, fui logo para a estação de trem. Lá comprei minha passagem para Hiroshima. O trem saia em 15 minutos. No caminho do trem fui obrigado a parar e comprar um Belgian Waffle, que é uma das maiores tentações do mundo para mim. Me deliciando com o meu Waffle, andei até a plataforma de onde sairia o próximo trem. Mais uma vez não tinha lugar marcado para me sentar, mas o trem estava bem vazio, então acabei me sentando sozinho. Logo peguei meu livro e comecei a ler. A primeira parada em sentido a Hiroshima seria Osaka, cidade que vou visitar após minha estadia em Hiroshima. Quando o trem parou em Osaka, todos que estavam no meu vagão saíram. Todos. Estava sozinho e achando isso um pouco estranho. Logo mais uma mensagem no alto-falante avisou que o trem estava "out of service". Saí e indaguei ao condutor se aquele trem não iria para Hiroshima. Ele disse que não, mas logo já plataforma da frente i próximo trem me levaria à Hiroshima. Em menos de cinco minutos já estava abordo de outro trem em sentido a Hiroshima. Mais uma vez peguei meu livro e me pus a ler até meu destino.
Como de costume, já havia carregado um mapa com as direções para o meu hotel no meu iPad. O hotel era bem perto da estação de trem, o que sempre é muito bom, já que posso ir andando e não gastar dinheiro com transportes. Rapidamente cheguei no hotel. Tão rapidamente que quando cheguei lá ainda faltavam uma hora e meia até eu poder fazer o check-in e subir ao meu quarto. Sendo assim, deixei minhas malas no hotel e fui dar uma volta até poder fazer o check-in. Não queria ir longe, então andei apenas pelas redondezas, explorando o que havia perto do hotel. Fui a um supermercado no subsolo de um shopping, andei por uma área onde haviam muitos restaurantes e bares, e achei uma área comercial com todas as lojas de grife. Sem necessidade de comprar um anel na Tiffany's ou um terno na Armani, fui encontrar um lugar para comer. Acabei comendo Noodles mais uma vez, já que é uma opção boa e barata (e japonesa). Toda vez que como Noodles queimo a minha língua. Queimar a língua é como se fosse uma das regras de comer Noodles. Se continuar comendo muito, provavelmente nunca mais vou sentir gosto de nada, o que seria muito desagradável. Mas pelo meu conhecimento, as papilas da língua são a parte do corpo que se recompõe mais rapidamente. Se for realmente, não corro perigo.
Tendo comido, voltei ao hotel onde pude finalmente fazer meu check-in e subir para o meu quarto, onde fiquei relaxando por um tempo. Este hotel não tem Wi-Fi assim como eu imaginava, mas uma área da cidade fornece Wi-Fi de graça para qualquer um. Fui então andar até lá ver se realmente funcionava. Para entrar na internet tive que criar uma conta. Ela funcionava bem e acho que vai ser suficiente para os meus dias aqui. Andei mais um pouco pela área e voltei de novo para o hotel e fiquei por lá até o fim do dia. Quando tive que comer, comi no próprio hotel que tem um restaurante italiano. Uma das coisas mais difíceis do mundo é comer macarrão com milho de tomate sem se sujar, ainda tenho que aprender esta arte. A não ser eu só haviam mais duas pessoas no restaurante. Qua bom que elas estavam lá já que não gosto de comer em restaurantes vazios, sempre acho que estão me olhando e que não me querem lá.
Hoje fez um mês que estou viajando sozinho. Um mês em que já conheci três países, culturas e pessoas diferentes. Um mês que quando comparado com o resto da minha vida se destaca. Um mês em que descobri muito sobre o mundo e sobre mim, que usei as mesmas roupas, tomei conta do meu dinheiro, me virei, e que expandi meus horizontes. Um mês de uma viagem de dez meses com muito pela frente.
Na primeira semana da minha viagem meu amigo me disse para tentar não ficar "homesick". Disse a ele que apesar de sentir saudades de certas pessoas, nunca tinha ficado "homesick" e que portanto achava que não iria acontecer. Posso dizer agora que estava errado. Apesar de estar amando minha viagem, sinto muita falta falta da minha casa e do meu cotidiano na minha cidade. Por mais que adoro estar aqui, queria estar lá. Tenho no entanto que me acostumar com a idéia de que após 18 anos, aquela que foi minha casa não será mais. Após minha viagem, parto para a faculdade, que irei cursar em Nova York, o que significa que não vou mais morar naquela que por tanto tempo foi minha única casa. Começando esta viagem eu realmente comecei um novo capítulo da minha vida. Mas diferente de um livro, não posso voltar algumas páginas e reviver capítulos anteriores. Estes se perderam, aproveitados ou não, e dão espaço aos mais novos, que ainda tenho que escrever. Com muita tinta na minha caneta, espero conseguir pensar em uma boa e longa história.
A única coisa que tenho medo na vida (com exceção de medos óbvios como do escuro, de monstros, ou de palhaços) é do futuro. E este chega cada vez mais rápido e nunca acaba. Quando alcança-lo, ainda terá muito pelo frente. É um medo infinito. Como não ter medo do infinito?
Ah que legal Fran! Ter saudade da sua rotina, sua casa, de SP é sinal que você é feliz! O futuro é bom demais. Ter medo é bom porque assim você se preocupa em produzir um futuro perf! A única coisa que tá foda no meu futuro que eu não estava programando é a minha lombar e o meu joelho. Ou seja, academia, academia, academia!
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