Thursday, August 18, 2011

Sydney - Dia 5.

Hoje era meu último dia em Sydney, meu último dia na Oceania, e meu último dia por um bom tempo que estava em um país onde a língua oficial era o inglês. Estava sol, e eu de capa de chuva.

Depois de comer, fui comprar o ingresso de um filme que eu queria ver. Era o dia de estréia e minha última chance de vê-lo. Comprei o ingresso para uma sessão a tarde, assim poderia aproveitar meu dia. Depois de passar um tempo usando a internet, como de custume, fui até uma livraria e comprei dois livros enormes que pretendo ler assim que acabar o que estou lendo.

Andei até Circular Quay, onde fica a Opera House e passei um tempo sentado tomando sol. A paisagem mais icônica de Sydney estava ao meu redor, o dia estava lindo e eu estava feliz. Ficar ouvindo o mar estava me deixando com vontade de pular dentro dele, de roupa e tudo. Muitos barcos cheios de turistas atravessavam minha visão e duas bandeiras Australianas balançavam orgulhosamente acima da Harbour Bridge, enquanto pessoas escalavam a ponte até o topo e diversos carros à atrevessavam. Ao meu lado, pessoas escreviam cartas, tiravam fotos, liam, comiam, tomavam sol, conversavam, trabalhavam, passeavam, exploravam e viviam. Eu era um entre muitos. Um entre muitos, e ainda sozinho.

Antes de começar minha viagem, quando contava os meus planos para meus amigos e para pessoas em geral, muitos diziam que eu não iria agüentar ficar sozinho, que eu iria ficar louco. Sabia muito bem que não iria me sentir sozinho, que eles estavam errados e que eu não iria ficar louco, já que já era louco. A primeira parte da minha viagem estava acabando e eu não poderia estar mais satisfeito. Conheci a Austrália e a Nova Zelândia. Conheci a Oceania, e mesmo que rapidamente, aproveitei cada momento. Acredito que para qualquer pessoa, as experiências de vida, o conhecimento do mundo e de si próprio é muito mais importante que qualquer lição aprendida em uma escola ou uma faculdade. A faculdade da vida é a mais importante, e eu estou aproveitando meu curso.

Enquanto aproveitava meu último dia em Sydney, pensava como seria o resto da minha viagem. Como seria estar no Japão? Como seria estar na China? Sentia medo e anciedade de estar em lugares onde seria difícil me comunicar, mas não tinha dúvida de que seria uma experiência como nenhuma outra. Sou jovem e tenho muito tempo pela frente. Imagino como seria fazer esta viagem com mais idade, mais experiência e mais conhecimento. Imagino como seria conhecer o mundo com outra mentalidade, ou outro propósito. No momento posso só imaginar.

Me sinto uma pessoa diferente de todos. Todos são únicos, mas eu me sinto diferente. Sei que espalhados pelo mundo há muito gente como eu, mas eu ainda não encontrei ninguém. Quem sabe algum dia em possa encontrar. Mas até lá, talvez eu tenha mudado e não me parece mais com aquele que um dia se parecia comigo. Talvez aquele que se parecia comigo mude, e não se pareça mais comigo. Talvez eu nunca ache alguém como eu. Talvez, talvez.

Depois de passar um bom tempo refletindo sob o sol, fui dar uma volta no Royal Botanic Garden. No caminho, um grupo de gaivotas atacava um prato inacabado na varanda de um restaurante. A confusão era tanta que elas até quebraram um copo. Andando pelo parque, achei onde os morcegos que eu via no Hyde Park a noite ficavam. Em uma árvore no meio do parque haviam dezenas de morcegos pendurados como frutas. Andando mais um pouco achei duas Cacatuas se beijando em quanto outra as observava.

Fui almoçar mais uma vez no Ivy. Da primeira vez que fui lá estava vazio e eu era um dos únicos comendo. Desta vez o bar estava cheio, e no lado de fora, onde eu sentei, estavam montando uma mesa de som. Imagino que iria ter algum show, mas não fiquei lá o suficiente para ver. Comi e fui para o cinema.

Quando sai do cinema voltei para o hotel, fiz minha mala, jantei e dormi.

















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