Quando saí do hotel fui andando direto até o mercado Les Halles, que segundo o meu guia era uma parada obrigatória da cidade. No dia anterior ele estava fechado, mas já tinha passado em frente, então sabia onde era. Não me empolguei muito com o mercado. Era legal, mas nada de mais. Nenhum ainda ganhou do Boqueria em Barcelona. Dei uma volta pelo mercado, observando não só as comidas mas as suas figuras estranhas. Bem em frente do mercado estavam algumas outras barracas vendendo outros tipos de mercadoria, e achei estas mais interessantes que o mercado. Depois disso fiquei passeando pela cidade até chegar a hora do almoço. Não foz nada de especial neste tempo, e não vi nada muito especial. No final entrei em uma Fnac e fiquei um tempo lá. Quando chegou a hora do almoço andei até o restaurante que queria ter comido no dia anterior, e hoje ele estava aberto. Me sentei do lado de fora, e aproveitei tanto a comida quanto o sol. Sempre que me perguntam o que quero beber aqui na França eu digo água, e 100% das vezes eles me trazem uma garrafa d'água de graça, da pia provavelmente. Aqui eles me trouxeram uma garrafa normal, de 1 litro. No final me cobraram 4 euros por ela. Quatro. Fiquei super irritado. Em um supermercado qualquer normalmente compro um litro e meio por alguns centavos entre 15 e 20. Esta garrafa foi quase 30 vezes mais cara.
Depois do almoço andei até a praça principal, e lá fui até o teatro, onde comprei um ingresso para um espetáculo a noite. Estava debatendo comigo mesmo estes últimos dias se iria ou não no espetáculo, mas como o preço de estudantes não era tão caro, decidi ir. Mas era só de noite, e eu ainda tinha a tarde toda pela frente. Fui então até a Pont d'Avignon. Ao visitar o Palácio do Papa no dia anterior já tinha comprado junto o ingresso para visitar esta famosa e legendária ponte da cidade, mas decidi deixar para visitar ela hoje, para não fazer tudo em um dia só. A ponte foi construída no século 12, destruída pelo Louis VIII no século 13, reconstruída no século 14, e depois de ser destruída aos poucos por enchentes e pelo rio, foi abandonada no século 17. Dos seus 22 arcos originais, restam apenas 4. Mas a ponte ficou famosa por toda a França por ser mencionada em uma canção típica, "Sur le Pont d'Avignon". Recebi um áudio-guia lá que explicava toda a história da ponte, e foi interessante. O dia estava lindo, e foi um passeio gostoso ao ar livre.
Ao acabar de visitar a ponte fui voltando para o centro e passei em uma sorveteria para comprar um sorvete. Foi um dos melhores sorvetes que já comi. Pedi três sabores diferentes, e todos estavam incríveis. Foi bom demais. Depois de comer o sorvete continuei a andar e passei por uma barraca de um homem que eatava vendendo churros. Não consegui resistir, e comprei um saco. Me sentei em um parque perto e comi todos. Depois do sorvete e dos churros fiquei um pouco enjoado de tanto doce, mas não durou muito. O museu da arte mais importante da cidade fecha de segunda e terça, exatamente os dias que passei aqui, então não pude visitá-lo. De qualquer modo fiquei sabendo da existência de um outro museu, Collection Lambert, de arte contemporânea, e fui para lá que fui. Estavam acontecendo duas exposições: uma de um artista chamado Lawrence Weiner, e outra do Vik Muniz. A primeira não era muito interessante, e a do Vik, sendo o Vik, já conhecia a grande maioria das obras. Em uma sala da exposição estavam exibindo "Wasteland", o documentário sobre o trabalho do Vik nos lições do Rio. Deu uma entrada para ver um pouco, mesmo já tendo visto o filme, e a sala estava cheia de senhoras que estavam todas chocadas com o que estavam vendo. É triste mesmo. O espaço é bem legal e bonito, e além das exposições haviam algumas instalações permanentes que eram legais. Tinham me dito na entrada que a exposição continuava em uma igreja. Não sabia o que iria encontrar lá, mas fiquei surpreso, e gostei. Em uma grande igreja abandonada haviam dois trabalhos que o Vik fez para a exposição. Ver seu trabalho em fotos é um coisa, vê-los ao vivo é completamente diferente, e muito mais legal. Eram dois trabalhos do Van Gogh, um auto-retrato, e outra, feitos com flores e lavandas e lenha e folhas, e etc. Era muito bonito, e a dimensão do maior era impressionante. Gostei bastante de poder ver isso.
Quando acabei de visitar a igreja resolvi voltar para hotel, onde tive tempo de ler um pouco mais antes de sair de volta para jantar antes de ter que ir para o teatro. Já sabia onde queria jantar, e fui direto até o tal restaurante. Entrei, e comecei a me sentar quando me disseram que não estavam servindo mais comida. Isso não estava nos meus planos, e eu não tinha muito tempo já que queria chegar cedo no teatro. Perdi um tempão escolhendo algum outro restaurante que servisse algo rápido, e acabei comendo no mesmo em que jantei na noite em que cheguei. Não queria comer lá porque o garçom é muito antipático, e foi o mesmo que me atendeu. Foi um saco, mas pelo menos comi e acabei na hora que queria.
Tinha comprado o ingresso mais barato possível, e era no último andar do teatro, sem lugar marcado, e por isso queria chegar cedo para conseguir pegar um bom lugar. Se tivesse chegado 10 segundos mais cedo teria pegado o melhor lugar possível dentro do que podia escolher, mas entrei junto com duas senhoras e elas pegaram este lugar. Os lugares no último andar não eram nem cadeiras, e sim uma arquibancada, quase uma escada. Achei engraçado. O espetáculo era uma ópera, "Fausto", do Goethe. No começo achei que eles estavam cantando em italiano, e que portanto eu não era o único perdido, mas então percebi que era francês mesmo, e que eu era o único que estava perdido. Por sorte sabia o básico da história. No intervalo, as senhoras saíram e não apareceram mais, então durante o segundo ato tive uma visão muito melhor do palco. A diferença de lugar era mínima, mas fazia uma grande diferença em relação a visibilidade do palco. Foram 4 horas de espetáculo, foi cansativo, e eu não me concentrei muito. Mas foi bonito, a orquestra era ótima, e os tenores principais eram bons. Não era uma super produção, mas bem montada. Quando o espetáculo acabou voltei para o hotel onde fiz minha mala, usei a internet e escrevi para o blog. Já estava bem tarde e eu estava cansado. Por sorte já tinha lido tudo que eu precisava pelo dia, então não tive que ler mais, e fui dormir.














No comments:
Post a Comment