A primeira parada seria o TATE Modern, onde eu ainda tinha que ver a exposição que tinha perdido alguns dias atrás. Para não perder o meu tempo, iria de metrô. Não sabia - nem olhando o mapa do metrô - qual seria a parada mais perta do TATE, e não queria saltar em uma estação que eu não conhecia, para não me perder, então resolvi saltar na estação de Waterloo, bem ao lado do BFI. Assim eu só teria que seguir o Thames para chega no TATE. Foi o que fiz, e esta andada levou uns quinze minutos, o que não foi ruim. Chegando lá, fui direto para a bilheteria, onde hoje não havia ninguém na fila. Era uma combinação do horário que eu tinha chegado, com o fato do feriado ter acabado. Sendo assim pude ir direto a exposição, uma retrospectiva do trabalho do Damien Hirst. Já tinha isto alguns de seus trabalhos em museus ao redor do mundo, mas nunca uma exposição solo dele, e nunca tinha visto seus trabalhos icônicos e controversiais. Estava portanto bem animado para ver esta exposição, e realmente adorei. Seu trabalho certamente chama muita atenção, e este é um dos grandes fatores para a sua fama, mas também é um ótimo trabalho - muito bem produzido, realizado, e muitas vezes muito bonito.
Ver seu tubarão, e andar entre as vacas cortadas ao meio, são certamente coisas marcantes. Não só para quem gosta de arte. A exposição estava muito bem montada, com tudo que eu esperava ver, o muitíssimo mais que eu não conhecia. A única coisa que senti falta ao final da exposição foi seu famoso crânio revestido de diamantes - a obra de arte mais cara do mundo. Porém, quando estava indo embora, depois de visitar a loja, vi que no primeiro andar tinham montado uma sala especialmente para o crânio, intitulado "For the Love of God". A exposição em sí era paga (e cara), mas eles estavam expondo o crânio de graça, apara todos. Por isso mesmo, havia uma fila grande para vê-lo. Com um tempo determinado, eles liberavam um pequeno grupo de cada vez dentro da sala onde a obra estava. Mesmo a fila estando grande, ela andou rápida. A sala era toda escura e preta, com apenas uma luz direcinado no crânio, que era refletida em todos seus diamantes. Estava muito bonito, e ver esta obra também foi bem marcante. Foi uma ótima exposição para acabar a lista inacabável de museus que visitei durante esta viagem.
Tinha ficado no museu o tempo que imaginei que iria, mas mesmo assim saí de lá tarde, então tive que percorrer todo o resto do meu dia com pressa - infelizmente. Comecei indo até o metrô que realmente era o mais perto - a estação da St. Paul's Cathedral, do outro lado do rio. O metrô estava extremamente cheio, e isso me deixou com medo de ter que mudar meus planos de usa o metrô para ir para o aeroporto no final do dia. Estava tão cheio que eu quase não consegui pegar o primeiro metrô que chorou, mas como eu não tinha tempo para perder, me meti no meio. Foi um dos metrôs mais cheios em que já andei, ganhando até de alguns que peguei na China. Saltei perto de onde eu queria, e fui logo almoçar. Comi mais uma vez no Byron, em um diferente desta vez. Este tinha sido o primeiro Byron em que comi, quando cheguei em Londres no final do ano passado, e fui atendido pelo mesmo cara. No final ele me perguntou se eu já tinha estado lá, disse que sim e que eu já conhecia. Disse "você é de Melbourne", mas eu estava errado, ele era de Wellington. Cheguei perto.
Depois de almoçar tive que passar em várias lojas. Comprei algumas coisas para mim, mas a grande maioria foram presentes. Não podia perder muito tempo, então apenas entrei nas lojas e comprei o que precisava, sem nem poder passear um pouco por elas. Por sorte já sabia o que precisava comprar, e na maioria delas já sabia onde as coisas estavam. Aproveitei também para passar na loja da Apple, já que ainda não tinha usado a internet hoje. Lá eu pude passar um tempo a mais. Quando fui andando de volta para o apartamento ainda parei para comprar um cartão postal. Não iria mandar cartões postais para ninguém daqui, já que já tinha mandado meus cartões de Londres, e eu só mando um por país. Porém, curiosamente, o meu cartão de Londres para a minha mãe não dói entregue, então tinha prometido que iria mandar outro, assim ela teria um de cada país que visitei. Chegando de volta no apartamento, fui logo fazer tudo que precisava. Terminei de arrumar minha mala, que com os recém-comprados presentes ficou mais cheia do que nunca, e quase não fechou. Em seguida escrevi o cartão postal para a minha, e depois fui tomar um banho. Depois de me lavar, e enquanto me lavava, botei a minha toalha na máquina de secar, assim não teria que levar nada molhado na mala. Com a toalha, a mala ficou ainda mais cheia. Com tudo pronto, chequei se tinha pego tudo, e se tudo estava em ordem. Com tudo em ordem, dei uma saída bem rápida para postar o blog usando o Wi-Fi do café ao lado. Ainda de ir embora, me despedi do Zibi, e então fui para o metrô.
A estação não estava cheia, então eu decidi ir mesmo de metrô até o aeroporto, e foi a decisão perfeita. Entrei no metô no exato horário que queria, e quando tive que trocar de metrô, nãp tive que esperar por quase nada pelo que eu precisava pegar. Da última vez que fui para o aeroporto de metrô tive que esperar uns vinte minutos por este segundo metrô. Este segundo metrô estava bem cheio, e eu tive que ficar em pé durante a viagem toda, por quase uma hora. Tentei aproveitar para ler, mas foi difícil, e não consegui ler muito. Do modo que tudo aconteceu, demorei bem menos do imaginava que iria para chegar no aeroporto. Tinha imaginado uma hora e meia de viagem, mas cheguei em uma hora. O aeroporto estava bem vazio, para a minha felicidade, e eu fuimlogo fazer o check-in. Não queria fazer meu check-in em máquinas, então peguei uma pequena fila para ser atendido por alguém de verdade. Não confio em robôs. Com o check-in feito, passei logo pela segurança, e fui logo para meu portão de embarque. Foi tudo muito rápido e eficiente. O portão de embarque estava completamente vazio, afinal ainda faltavam duas horas para o vôo. Comecei a ler, e não parei até anunciarem o embarque. Nesta hora o portão já estava cheio, mas eu fui literalmente o primeiro a embracar no avião. E assim que entrei, me sentei e voltei a ler.
Fui um bom vôo, sem nada para reclamar. Só parei de ler quando serviram o jantar, que estava surpreendentemente gostoso, e servido com talheres de metal, ao invés de plástico, e guardanapo de pano, ao invés de papel - algo que não é comum na classe econômica. Ao acabar de comer, também acabei o meu livro. Estava lendo "The Picture of Dorian Gray" do Oscar Wilde. Anos atrás já queria ler este livro, e tentei começar, mas eu ainda era muito jovem e não entendia nada. Foi bom então finalmente ler este clássico. Mas, sendo um clássico, estava esperando mais. Gostei do livro, mas realmente não era tudo o que eu esperava. Assim que acabei de ler, tentei dormir. Não havia ninguém sentado do meu lado, então eu pude me deitar (ou semi-deitar) em duas cadeiras, o que facilitou um pouco meu sono. Consegui dormir, mas não muito bem, como era de se esperar. Dormindo e acordando diversas vezes, só levantei de verdade quando iriam servir o café da manhã. Esta refeição não foi tão boa quanto o almoço, mas deu para encarar, e eu comi tudo. No tempo que ainda tínhamos para pousar, consegui aproveitar e escrever para o blog.
O avião pousou no horário certo, de madrugada no Brasil. Saltei do avião o mais rápido que consegui e fui passando na frente de todos que conseguia no corredor, para pegar a menor fila possível ao passar pela imigração. Mas meu vôo não era o único que estava aterrisando naquele mesmo momento, e o aeroporto estava mais cheio do já vi antes. Mas mesmo com muita gente, andou mais rápido do que eu esperava. Isto é o bom de ser residente do país. Passado a imigração, fui buscar minha mala, que demorou muito para chegar. Sempre fico com medo de terem perdido minha mala, então sempre fico nervoso até minha mala aparecer na esteira - e ela sempre acaba aparecendo. Com tudo pronto, tinha apenas que passar pela alfândega, que foinum problema. Não estava nada organizado, todos estavam cortando a fila, e estava cheio demais. Tinha chegado ao Brasil, e cada minuto que passava percebia isso com mais clareza - e estava ficando desesperado de estar de volta. Quando finamente chegou a minha vez na alfândega mandaram inspecionar minha mala no raio-x. Tive que ir até uma outra sala, onde passei a mala no raio-x, e obviamente não tive problemas.
Por muita coincidência (pois não tínhamos planejado isso, e foi algo que só ficamos sabendo há algumas semanas), cheguei em São Paulo bem em um feriado. Sendo assim, mesmo sendo uma quinta-feira, minha família poderia vir me buscar no aeroporto. Como meu vôo pousava muito cedo, disse para eles chegarem um pouco depois. Quando passei por tudo e saí para o saguão, eles ainda nãp estavam lá, e eu tive que esperar uns 15 minutos. Estava com sentimentos paradoxos em estar de volta ao Brasil, de volta para casa, mas estava animado. Quando eles chegaram, entrei no carro e fomos para casa. Era bom estar com meus pais e com a minha irmã de novo. Estava chovendo, e no caminho o dia foi amanhecendo, e já estava claro quando chegamos em casa. Estava em casa. Minha viagem tinha acabado. Era difícil de aceitar isso, mas era verdade. Como eu esperava, mas não queria que acontecesse, mal tinha entrado em casa e era como se não tivesse saído de lá. Como se não tivesse conhecido metade do mundo, passado um ano fora, e sozinho. Era como se nada tivesse acontecido, mas eu sei que aconteceu, e tenho este blog para provar.
Em casa, no meu quarto, deitando em minha própria cama, minha viagem chegou ao fim.




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