Saturday, September 17, 2011

Tokyo - Dia 3 (Yokohama).

Acordei com os meus três despertadores e desci logo para o café da manhã. Hoje queria ir até Yokohama, uma pequena cidade perto de Tokyo, onde está acontecendo uma Trienal de Arte. Sendo assim, queria sair cedo e chegar lá assim que as exposições abrissem, para não perder nada. Tomei meu café e fiquei um pouco usando a internet (porque sim, isso é essencial) antes de sair.

Acabei saindo do hotel 20 minutos mais tarde do que eu planejava, mas isso não foi problema nenhum. Tinha descoberto (por acidente) no dia anterior como chegar em Yokohama. Peguei o metrô (metrô para outra cidade!) mais perto do meu hotel e, sem trocar de trem, parei em frente ao Museu de Arte de Yokohama. Incrível, mesmo saindo 20 minutos depois do que estava planejando, cheguei na estação 15 segundos depois das portas do museu abrirem. Como o metrô era logo em frente, cheguei lá menos de cinco minutos depois das portas abrirem. Como hoje era sábado estava um pouco preocupado de encontrar o museu muito cheio. Aqueles que já viveram isso sabem que é horrível ver uma exposição quando o museu está cheio demais. Porém, esta Trienal começou no início de Agosto e vai até o começo de Novembro. Sendo assim, o museu não estava cheio. Mesmo assim peguei uma pequena fila para comprar meu ingresso. Nessas horas vejo como é bom ser um aluno de High School (na verdade não sou aluno de lugar nenhum, mas não é isso que minha carterinha de estudadnte diz). Paguei menos que a metade do ingresso normal

Esta trienal de arte, que está comemorando 10 anos (não me pergunte como isso é possível já que é um trienal, e acontece de três em três anos), está espalhada por diversos centros de exposições da cidade, mas os locais mais importantes são o Museu de Arte de Yokohama e o NYK Waterfront Warehouse, e eram os lugares que meu ingresso dava direito a visita. Como já disse, comecei visitando o Museu de Arte de Yokohama. O título desta trienal, seu "tema", era "Our Magic Hour: How Much of the World Can We Know?".

A exposição como um todo foi ótima, com algumas lindas obras de artistas Japoneses e do mundo. Vou falar um pouco das minhas obras favoritas, das mais peculiares, e das mais entediantes (que são necessárias em qualquer exposição, principalmente para mostrar como o que é bom é realmente bom). Logo na entrada, do lado de fora, estavam expostas 12 esculturas do artista Ugo Rondinone. As esculturas, que pareciam ser de argila, eram caras de "monstros", e uma delas é a obra que estampa quase todas as propagandas da Trienal. Quase todos sorridentes, estes "monstros" davam boas vindas para todos (não literalmente já que eram apenas esculturas). Já dentro do museu, a primeira obra que vi não foi minha preferida, mas adorei seu título. A esfera prateada e magnética do artista Ryan Gander se chamava "Really shiny stuff that doesn't mean anything". Ótimo titulo (e muito bem apropriado). No andar de cima, uma das primeiras coisas que vi foi a performance de uma artista. Esperei por uns dez minutos enquanto ela apenas ficava sentada, e sempre pensando se ia ou não embora. Quando a performance começou, não foi muito mais empolgante do que ver ela sentada. Não sou muito fã de performances artísticas. Na sala ao lado estava a obra "One" de Wilfredo Prieto, uma pilha (ou carpete) de 28 milhões (28,000,000!) de diamantes falsos, com apenas um verdadeiro no meio de todos. Estava vendo a exposição todo com um Audio Guide. Sobre esta obra, o Audio Guide perguntou se eu conseguia achar o verdadeiro. A resposta é simples: não. Em uma outra sala estava uma obra de Tobias Rehberger. A obra eram apenas lâmpadas enormes penduradas do teto. Mas pelo que eu entendi, as lâmpadas só acendiam quando uma criança em uma localização remota fazia alguma ação (sem saber que isso estaria conectado com uma obra em um museu). Não entendi direito, mas todas as lâmpadas estavam acesas, então só posso imaginar que as crianças eatavam agitadas. Mais adiante estava uma obra do artista Mike Kelley que tentava representar Kandor, a cidade natal de Kal-El (Clark Kent, o Superhomem). Haviam 5 variações desta cidade, todas iluminadas de um modo muito bonito. Sendo um grande Nerd, adorei. O artista Sun Xun estava em exposição com uma animação de 10,000 desenhos que levaram 5 anos para ficar prontos. Era interessante, mas achei que iria gostar mais. Do lado estavam obras do artista Damien Hirst, que criava lindas figuras feitas de asas de borboletas, que pareciam vidraças de catedrais. Também havia um vídeo intitulado "O Inquilino" da artista Brasileira (a única) Rivane Neuenschwander (juro que ela é brasileira, mesmo com esse nome), que seguia uma bolha de sabão voando por um apartamento. Também não sou muito fã de vídeo arte. Uma obra muito curiosa era a do artista Iwasaki Takahiro. Feitas de cabelo e poeira, minúsculas (mas impressionantes) esculturas eram vistas através de telescópios. Não consigo endender como as obras foram confeccionadas, mas era muito legal. Uma obra da Yoko Ono também estava em exposição. Era um labirinto com um telefone no meio. O telefone era uma linha direta com a artista, e inesperadamente ao longo da exposição ela poderia ligar para ele. Havia uma fila grande para entrar em seu labirinto, então não entrei. Mas era transparente, então não havia muito segredo. Bom, essas foram as obras que me chamaram mais atenção no Museu de Arte de Yokohama, com algumas obras de René Magrite e Man Ray no meio.

Saindo deste museu, peguei um ônibus de graça até o NYK Waterfront Warehouse. Bem menor que o Museu de Arte, haviam algumas obras interessantes em exposição aqui. No primeiro andar, pendurada do teto, estava pendurada as raízes de uma árvore. Esta obra de Henrik Håkansson atravessava os três andares da Warehouse. A cada andar se via uma parte da árvore, como se ela tivesse atravessado o teto. A artista Rivane Neuenschwander também tinha uma obra aqui, que era interativa. Em uma, diversas letras estavam espalhadas por um tanque de areia, e era possível mover as letras e soletrar a palavra ou mensagem que você quisese. Na putra mesa, as letras estavam escritas dentro de ovos. Para ver que letra estava dentro de cada ovo era necessário olha-los na contra luz. Soletrei meu nome no tanque de areia. A menina do meu lado curiosamente leu o que eu tinha escrito. Quando disse que era meu nome ela me disse "belo nome!". Aqui também tinha uma área inteira dedicada à fotos e vídeos do artista/diretor Apichatpong Weerasethakul, que é famoso por ter ganhado a Palme d'Or em Cannes ano passado pelo seu filme "Uncle Boonmee, Who Can Recall His Past Lives" (filme que eu não gostei por sinal). Mas talvez a obra que mais gotei aqui foi um vídeo do artista Christian Marclay (eu sei que falei que não gosto de vídeo arte, mas este era diferente e especial). Durando 24 horas, seu vídeo edita cenas de milhares de longa metragens do mundo todo em que se diz a hora ou se vê um relógio. Minuto a minuto, nós vêmos o tempo passar simultaneamente com o tempo real, e ao mesmo tempo vêmos cenas de muitos e muitos filmes. Passei quase meia hora lá, "vendo o tempo passar" (literalmente). Uma das cenas era de um filme do livro que estou lendo. Por sorte era uma cena que já tinha lido, não gosto de spoillers. Bom, chega. Passei 7 horas do meu dia vendo arte, tudo resumido aqui. Cheguei na hora que as portas se abriram e fui embora quando as portas se fecharam. Foi um longo dia artístico.

Saindo do Warehouse peguei o ônibus de volta para o Museu, e de lá peguei o metrô de volta para o hotel. No hotel passei um tempo na internet e saí para jantar. Poderia muito bem ter comido no hotel, mas estava cansado de Noodles e não tinha comido o dia inteiro. Há muitos restaurantes perto do meu hotel, mas como sempre, queria um Hamburger. Fui em um restaurante chamado Golden Brown (que é o nome de uma música que eu gosto). O Hamburger de lá foi certamente o melhor que comi no Japão. Seu único problema era ser "mole" demais, e se desmanchou inteiro na minha mão. Fiz uma bagunça comendo. A garçonete que estava me atendendo estava usando uma camisata do Batman, do filme original do Tim Burton. Respect!

Quando voltei para o hotel passei tanto tempo escrevendo este post (escutei 3 CDs enquanto escrevia), que não deu tempo de ir no SPA, então apenas li e fui dormir. Estava cansado.

(Percebi que usei muitos parênteses neste post (não sei dizer o porquê (mas talvez seja um modo de tentar explicar tudo mais profundamente (e com mais detalhes)))).






































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