Monday, February 6, 2012

Bordeaux - Dia 2.

Como tinha ido dormir "cedo" mais uma vez, não liguei o despertador sabendo queeu não iria acordar muito tarde. Realmente acordei na hora que estava imaginando. Levantei para ir no banheiro e no caminho abri as cortinas da janela. Não olhei para fora, mas ao ver que nenhuma luz do sol entrou no quarto, pensei que pena que não estava um dia bonito. Fui ao banheiro e voltando para o quarto olhei então pela janela. A cidade estava coberta de neve, bastante neve. Fiquei super surpreso, já que no dia anterior quase não havia uma nuvem no céu. Deve ter nevado a noite toda, e estava bem bonito. Não sei dizer a última vez que passei um inverno sem ver neve, e este não será um deles. Passei um tempo usando a internet e pesquisando mais algumas coisas da minha viagem, e então fui tomar um banho. Pela primeira vez desde o começo do ano troquei os casacos que estava usando, para algo que faria mais sentido com a neve.

Apesar da neve, não estava muito frio. Ou isso ou eu estava muito bem agasalhado. Apesar de ser bonita e divertida, neve sempre complica a vida em qualquer cidade. Quando ela está fresca não é muito um problema, mas ao começar a derreter a cidade fica suja e perigosa. Chegando na rua principal da cidade, a neve lá já estava quase toda derretida, e eu tive que tomar muito cuidado para não escorregar e cair. Tive que andar muito mais devagar do que o normal, e de um modo que fez minhas pernas doerem em poucos minutos. Demorando mais do que o normal, cheguei no centro quase na hora do almoço, e comecei a procurar algo para comer. Não era uma tarefa fácil já que, sendo domingo, tudo - TUDO - estava fechado. Os poucos restaurantes abertos eram ou péssimos, ou bem caros. Continuei andando para onde estava indo e acabei achando um restaurante italiano legal que estava abertos tinha preços bons. Entrei, me sentei, e comi bem.

O restaurante era em frente a um parque, então quando saí de lá não resisti e comecei a brincar com a neve. Me diverti um pouco, e então decidi fazer um boneco de neve. No meu caminho tinha passado por vários, e alguns muito bons. Não sou bom nisso, então demorei bastante, e o resultado final foi um pequeno boneco. Resolvi botá-lo sentado em um banco, esperando por um bonde que nunca viria. ao terminar meu extenso trabalho, tive tempo de tirar duas fotos dela antes de sua cabeça rolar para trás e se espatifar no chão. Pensei em desistir, mas refiz a cabeça dele, que acabou ficando menor que a original, mas tudo bem. Deixei ele lá, e continuei no meu caminho. Estava planejando visitar o museu de arte contemporânea da cidade, CAPC, que não estava longe de onde eu estava. O espaço do museu é bem bonito, um antigo depósito do século 19. As exposições em sí não eram tão legais, mas haviam algumas coisas interessantes. Estavam acontecendo duas exposições, uma chamada "Strange and Close - A Museum as a Neighbourhood" e a outra "Secret Societies". A primeira tinha como tema guerras, conflitos e a condição humana, e era organizada em parceria com um museu holandês. A segunda tinha como base ceitas e como seu título já diz, sociedades secretas. Vi tudo com calma, e só saí do museu quando ele fechou. Mesmo não tendo ficado muito entusiasmado, foi bom visitá-lo.

Saindo do museu ainda tinha um tempo antes de jantar, e fui andando pela beira do rio até o fim da cidade, onde encontrei uma espécie de shopping com várias lojas e restaurantes, mas nada era interessante, e eu não entrei em nenhuma loja. No meu caminho até lá passei por um grupo de meninos que estavam reunidos na beira do rio. Neste mesmo tempo, um homem passou fazendo cooper, indo na direção de que eu esta vindo. Dois dos garotos começaram a correr atrás dele e jogaram bolas de neve nele. Uma delas acertou em cheio a sua cara. Ele obviamente ficou muito bravo, mostrou o dedo do meio para eles, mas não parou de correr ou disse nada, como se não quisese se meter com os meninos. Coitado. Eles não se meteram comigo ou encheram meu saco. Quando comecei a voltar achei que iria encontrá-los de novo, mas eles não estavam mais lá. Até voltar tudo, já estava na hora de jantar. Passei por onde havia deixado meu boneco de neve, e o único vestígio de que ele havia existido era uma de suas pernas e seus braços, jogados no chão. Fiquei triste que ele sobreviveu tão pouco.

Passei por um restaurante que estava planejando jantar no dia seguinte, mas como já estava lá, resolvi comer lá mesmo. Ele ainda estava fechado, e quando vi que ainda faltavam cinco minutos para as 7, dei uma volta no quarteirão. Chegou sete horas, eu voltei para o restaurante, mas ele não estava aberto ainda. Notei então que já havia uma fila grande, e entrei na fila. O restaurante abria as 7:15. Não tinha visto a fila antes, que estava para dentro do prédio onde o restaurante fica, e agora fiquei com medo de não conseguir uma mesa. Por fora ele não parecia muito grande, mas eu estava bem enganado. Quando ele abriu, e eu entrei, vi que haviam vários andares. Em me sentei no terceiro andar, e em pouco tempo ele já estava cheio. As garçonetes chegaram, pegaram o pedido de todos, menos o meu. Achei estranho, mas então percebi que elas estavam imaginando que eu estava esperando por alguém. Me senti um pouco sozinho nesta hora, algo que acontece raramente. Quando perceberam que eu estava sozinho, vieram pegar meu pedido. O restaurante era um "L'Entrecote", então tudo que eu tinha para escolher era o ponto da minha carne. É exatamente como o que eu freqüento em São Paulo, começando com uma salada com nozes, seguida da carne com um molho especial, e batatas fritas, muitas batatas fritas. Em São Paulo aproveito para exagerar e como o máximo de batatas que consigo. Aqui, no começo não vi servirem mais batatas para ninguém, então comi minhas batatas com calma. Assim que vi elas servirem batatas para as outras mesas acelerei, e repeti três vezes. Não sei se é porque o corte da carne estava bem fino, mas tenho a impressão de que havia o dobro de carne do que vem em São Paulo. Estava tudo tão bom que é uma tortura pensar nisso agora. Comi tudo, e fiquei triste quando acabou. Como já estava gastando mais do que devia e costumo, resolvi pedir uma sobremesa, algo que quase nunca faço. Pedi uma sobremesa chamada Mont Blanc, que era sorvete de vanila, purê de castanhas doces, e chantili. Estava bom demais. Se comesse lá todos os dias da minha vida acho que nunca iria me cansar. Foi caro, o dobro do meu almoço, mas valeu muito a pena.

Saindo do restaurante voltei para o hotel. A neve na rua principal já havia derretido, então voltei muito mais rápido. De volta no hotel, passei horas conversando com o meu pai, e acabei indo dormir sem escrever para o blog, ou ler meu livro.
































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