Sunday, February 19, 2012

Porto - Dia 4.

Não queria perder o meu tempo hoje, então assim que acordei fui tomar banho para me arrumar e sair. Mesmo fazendo isso assim que levantei, saí mais tarde do que eu queria. Não havia ninguém na galeria, que aos sábados só abre no período da tarde. Saí, tranquei a porta atrás de mim, e comecei o meu dia. Para não perder tempo, tinha escrito o post para o blog no meu iPhone, assim poderia botá-lo online em qualquer lugar. Queria começar o dia logo para poder terminar de visitar o Centro Português de Fotografia antes do almoço. A única coisa que não estava planejando era ele estar fechado. Aparentemente não são só as galerias que não abrem sábado de manhã. Isso me deixou muito decepcionado, já que ele só abriria as 3 da tarde, e a essa hora estava planejando já estar em outro museu. Não poderia então terminar a minha visita. Uma pena. Com essa mudança de planos tinha duas horas até a hora do almoço em que eu não tinha a menor idéia do que fazer.

Comecei então com algo que estava bem em frente, e fui visitar a Torre dos Clérigos. Esta torre, construída em meados do século 18, e que faz parte da Igreja dos Clérigos, é a mais alta de Portugal. São 252 degraus até o topo, e este é o único modo de subir. Sua escada é bem estreita, o que deixava quase impossibilitava subir enquanto alguém descia, e vice-versa. Mesmo sendo cansativo e trabalhoso, a subida vale a pena, já que lá de cima se tem uma linda vista da cidade. Só haviam turistas lá, pois provavelmente qualquer morador de Porto já subiu lá uma vez ou outra. Na entrada falaram comigo em inglês. Quando alcancei o topo, fiquei um tempo lá, tirando fotos e aproveitando a vista. Resolvi que só iria descer ao meio-dia, quando os 49 sinos da torre tocariam uma música. Foi o que fiz. Ao tocar do primeiro sono meu coração quase parou. Estava bem debaixo dos sinos, e mesmo sabendo que eles iriam tocar ao meio-dia, tomei um baita susto. O resto da música foi de ensurdecer, estando tão próximos dos sinos, mas foi muito bonito. Valeu a pena esperar.

Quando desci da torre visitei rapidamente a igreja a qual a torre é ligada. Era bonita, e não muito grande. Comecei então a andar em direção a Igreja da Sé, a mais importante da cidade. No caminho parei onde sabia que tinha internet e postei o blog. Cheguei na Sé e ela estava fechada, algo que eu também não espererava. Pelo que tinha lido ela é muito bonita por dentro, com uma minstura interessante de estilos arquitetônicos. Mas não pude visitá-la. Fica para uma próxima. Comecei então a andar até o restaurante onde queria almoçar, e no caminho passei por mais alguns lugares, dando uma volta pela cidade. O restaurante ficava em uma viela escondida, e eu demorei um pouco para achá-lo. Meu guia recomendava ele como uma das melhores opções da cidade, mas recomendavam fazer uma reserva. Não tinha feito reserva, e estava um pouco preocupado, afinal era sábado. Cheguei lá um pouco antes da hora que costumo almoçar, mas achei bom já que estava sem reserva. Era um restaurante pequeno, mas havia uma mesa para mim. Foi um ótimo almoço. A primeira razão de ter sido ótimo foi o fato que pedi um suco de laranja de verdade (e acertei desta vez). Eatava muito bom, e eu não consigo lembrar a última vez que tinha tomado um suco de verdade, espremido na hora, e que não fosse de caixa ou artificial. Para comer pedi um Arroz com Polvo, que era o que o meu guia sugeria, e que é um prato típico português (ou assim entendo). Estava muito bom! Foi mais caro do que eu gosto de pagar, mas valeu a pena. De sobremesa pedi "Leite Creme", que era como um creme brulé, e também estava muito gostoso. Fiquei bem satisfeito. Quando fui pagar eles não aceitavam cartão, o que me deixou surpreso. Por sorte tinha o suficiente em dinheiro, mas quase a quantia exata.

Tendo comido, fui dar uma última volta pelo porto. Estava um dia lindo, e eu passei quase a tarde toda de camiseta. Estava muito agradável nas margens do rio, e seus restaurantes estavam todos cheios. Usei a internet para falar com os meus pais, ams foi uma conversa rápida já que estava ficando sem bateria e não queria chegar no fim do dia sem celular. Dei uma volta, e resolvi atravessar a ponte até a Vila Nova da Gaia. Meus planos originais eram andar até o metrô, mas então vi no mapa que Havia uma estação do outro lado, então não faria muita diferença. Atravessei, mas então vi que a estação de metrô era no topo do morro, e que eu teria que subir tudo. Quase desiti, mas que bom que não fiz isso. Do topo do morro tinha uma linda vista da cidade. O Porto é muito bonito. Peguei então o metrô. Os metrôs da cidade são bons e novos, mas ainda tem muitas poucas estações. Estava indo até a Fundação Serralves, o Museu da Arte Contemporânea da cidade, e a estação que chegava mais perto de lá era a da Casa da Música. De lá ainda tive que andar mais 40 minutos até o museu. Hoje ele fechava mais tarde do que da última vez que tinha ido lá, então estava planejando ficar até o museu fechar.

Minha entrada foi de graça por eu ser estudante (o que na verdade não sou, mas tenho minha fiel carteirinha). O museu tem quatro andares, mas só um deles estava com exposições. Se soubesse disso no outro dia que estive aqui não teria ido embora, e poderia ter aproveitado mais o meu tempo na cidade, mas tudo bem. Haviam duas exposições. A primeira era uma retrospectiva do artista português Eduarto Batarda, e era ótima. A segunda era uma exposição do fotógrafo Thomas Struth. Tinha recentemente visto algumas fotos deles em Santiago de Cmpostela, mas esta era uma exposição completa, e igualmente bonita. Eram ótimas exposições, mas eu acabei de ver tudo rapidamente. Do museu meu plano era ir direto para a Casa da Música, e jantar no caminho, mas ainda estava cedo para isso. Não teria o que fazer, então fiquei enrolando dentro do museu. Primeiro desci até o seu café e fiquei lendo jornais. Depois visitei sua livraria, e depois sua loja. No final tinha conseguido focar até a hora que queria, e saí um pouco antes do museu fechar. Ainda teria que andar os 40 minutos de volta até a Casa da Música. No caminho passei em um banco para sacar dinheiro, e em um supermercado para comprar água.

Em frente a Casa da Música passei por um restaurante que estava bem cheio e que parecia bom. Pensei em comer lá, mas estava planejando ir até o restaurante onde tinha jantado no primeiro dia do festival. Quando cheguei neste, vi que os pratos do dia estavam mais caros, então acabei voltando até o outro que tinha passado e, frente. Quando entrei vi porque que este estava tão cheio, eram todos os músicos do festival, misturados e interagindo e se divertindo e comendo. Fiquei animado de estar no meio deles, e fiquei com vontade de me sentar com eles, falar com todos e dizer o quando gostei das bandas. Não fiz nada disso. Comi em um canto, sozinho e calado. Pedi uma massa que chegou borbulhando e continuou quente até eu acabar. Queimei toda a minha boca. No final pedi a mesma sobremesa do almoço, mas a primeira estava muito melhor. Como o restaurante estava cheio, o serviço estava bem devagar. Saí de lá mais tarde do que queria, e cheguei na Casa da Música mais tarde do que queria. A sala já estava cheia e eu não consegui me sentar no meu lugar de sempre, mas consegui um bom lugar. A primeira banda da noite, o Maciej Obara Quartet, vinha da Polônia, e seus integrantes eram mais velhos que o resto de todas as bandas, e portanto mais experientes. Foi uma boa apresentação. A segunda banda vinha da Bósnia, se chamava Divanhana e tocava música tradicional da Bósnia. Não sei o que eles faziam em um featival de Jazz, mas foi uma linda apresentação. Como uma banda, esta foi a melhor de todos os dias, mesmo sendo a maior, com 8 membros. A música era muito bonita. Certas vezes melancólica e outras animada. A última banda da noite, Actuum, era de Paris. Sua música era muito doida, um pouco experimental demais para o meu gosto. Eu não conseguia destinguir uma música da outra. O resto da audiência amou, e eles foram um dos mais aplaudidos. E com isso acabou. Como iria embora no dia seguinte, não poderia ir no último dia do festival. Parecem que seria ótimas bandas.

Ao final do espetáculo voltei para a galeria, e no caminho estava pensando e percebi que no dia seguinte, domingo, também não haveria ninguém na galeria de manhã quando eu fosse embora. O que eu faria com as chaves depois de trancar a galeria. Fiquei preocupado, seria um problema. Não conseguia pensar em nada. Chegando lá vi se era possível passar a chave por debaixo da porta, mas não dava. Mas de qualquer modo quando entrei, achei uma mensagem para mim da Elsa, que trabalha na galeria, me sugerindo o que fazer. Que bom que ela também havia percebido meu dilema, mesmo antes de mim. Fiz minha mala, e fui logo dormir, sem escrever para o blog ou ler.
































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