Assim que saí do hotel já percebi a diferença de ser uma segunda-feira na cidade, comparando com o domingo do dia anterior. Meu hotel fica bem em uma grande avenida. No dia anterior mal haviam carros andando por lá, e esta manhã ela estava cheia. A cidade tinha voltado a funcionar. A primeira coisa que fui fazer foi andar até a estação de trem perto do hotel para checar os horários dos trens para Lisboa. Descobri que no dia seguinte iria acontecer uma greve dos trens, e que isso poderia afetar a minha viagem. Por sorte ela não é exatamente no dia da greve, mas mesmo assim pode ter problemas. Vamos ver o que acontece. Comecei então a passear pela cidade, passando por ruelas e outras ruas grandes. Realmente tinha uma outra atmosfera hoje. Meus planos para hoje eram visitar a universidade de Coimbra, mas ela ainda não estava aberta para visitas. De qualquer modo fui subindo com calma até onde ela fica, e dei uma volta pelo campus novo. Quando chegou na hora em que poderia entrar para visitar, fui comprar minha entrada.
A Universidade de Coimbra é uma das mais velhas do mundo. Seu prédio antigo era antigamente a primeira morada dos reis de Portugal, quando Coimbra era a capital. O prédio começou a ser construído em 994, e virou uma faculdade em 1537. A visita que se faz a universidade é justamente deste prédio antigo e principal. A visita começa na biblioteca, e já é o ponto alto da visita. Ela é espetacular, linda, e considerada a biblioteca universitária mais bonita já construída. Não conheço muitas bibliotecas de universidades, mas é difícil imaginar serem mais bonitas que essa. O resto da visita não se comparou a este começo. Seguida por uma antiga prisão, uma capela, e uma sala grande onde acontecem as provas importantes, a biblioteca foi realmente o ponto alto. De qualquer modo o prédio inteiro é muito bonito, por fora e por dentro. Eu também consegui vasculhar e conhecer algumas áreas que não estão inclusas no progama de visita, como algumas salas de estudo e salas de aula do prédio de Direito. Um dos meus primeiros descendentes, o primeiro Vergueiro a ir para o Brasil, se formou em direito nesta universidade, então foi muito significante e espiritual fazer esta visita. Na traseira de um dos prédios havia uma varanda com uma vista linda da cidade. Fazia tempo que eu não via (e sentia) um sol tão forte, que esquentava o dia mas também quase me cegou.
Acabei a visita mais rapidamente do que eu estava esperando. Depois de ver tudo comecei a descer de volta para o centro, e no caminho passei para visitar a antiga Catedral da Sé. Digo antiga porque agora também há uma nova Sé. Esta era bonita, mas nada muito impressionante. Continuei descendo e passei por um lugar onde iria acontecer um show de Fado, e resolvi comprar um ingresso. Só iria começar em mais de uma hora, então tinha um tempo para matar. Resolvi andar até o parque onde tinha ido no dia anterior. Hoje estava bem mais calmo lá, bem mais vazio, mas ainda havia uma fila grande na sorveteria. De qualquer modo entrei na fila, comprei um sorvete, e me sentei no sol. Fiquei por lá até ter que voltar para o show. O lugar era bem pequeno. Haviam só 17 pessoas, e não caberiam mais que 25. O show foi legal, mas não durou muito e não tinha sido barato, então fiquei irritado. Tinham me dito que seriam 50 minutos de espetáculo (o que já é pouco), mas nestes 50 minutos estavam inclusos um tempo de dois vídeos introdutórios e uma pausa grande. Senti que foi uma exploração para turistas. De qualquer modo a música foi bonita.
Quando o show acabou fui comer em um restaurante familiar que meu guia recomendava. Foi gostoso, mas nada de especial. Voltei então para o hotel mas não fiquei muito lá já que estava planejando ir para o cinema. Só passei um tempo na internet, e então saí. O cinema era em um shopping do outro lado do rio, perto do hotel. Era perto, mas foi difícil chegar lá. Nenhuma rua que eu entrei chegava no rio por conta de uma obra que estava acontecendo, e eu tive que atravessar para o outro lado por uma ponte rodoviária. Chegando do outro lado só haviam rodovias, e eu certamente não iria ficar andando na rua. O shopping estava na minha frente e eu não via como chegar nela. Quase desisitir, mas seria muito absurdo. Consegui chegar depois de subir um morro por um caminho de barro sem iluminação. Estava até um pouco assustado. Como as pessoas que não tem carro chegam lá? Não é possível que o caminho que fiz é o único, já que não é nem um caminho. fui ver "The Muppets", que aqui chama "Os Marretas", e foi muito divertido. Ri o filme todo. Aqui em Portugal eles fazem uma pausa no meio do filme, um intervalo de 7 minutos. É tão súbito que eu acho que deu errado toda vez. Já tinha visto isso antes em cinemas na Suíça. Sou completamente contra. Umas coisa é dar uma pausa em filmes de mais de 5 horas, como "Carlos" ou "Mistérios de Lisboa", mas em qualquer filme? Para mim isso faz você se desconectar com o filme, e lembrar da realidade.
Quando o filme acabou voltei para o hotel pelo mesmo caminho. Agora que sabia o que fazer foi menos assustador. De volta no hotel vi um pouco de TV e usei a internet.












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