O dia estava bonito finalmente, e eu nem estava usando meu casaco. Tinha portanto que aproveitar meu único bom dia na cidade. Comecei atravessando Peste inteira até quase chegar no rio, mais uma vez para a praça onde almocei nos outros dias. Mas hoje fiz um caminho diferente para poder passar em frente de uma famosa sinagoga da cidade. Quando cheguei lá percebi que já tinha passado em frente dela e ela não inha chamado minha atenção. Foi bom prestar um pouco mais de atenção desta vez. Continuei e comecei a procurar onde comprar cartões postais. Achei alguns lugares, e acabei comprando os mais baratos, que eram mais bonitos que os mais caros. De qualquer modo eu sempre compro os mais baratos. Fui então procurar o que comer. Com o dia bonito, a cidade era outra. Na praça todos os restaurantes estavam com mesas para o lado de fora, e todos estavam cheios. A cidade estava cheia de vida, animada e feliz. Demorei um pouco para escolher onde comer. Acabei escolhendo um que dizia ter o melhor Goulach da cidade. Obviamnete não acreditei, mas pelo menos era bem mais barato do que eu tinha comido no outro dia. Me sentei do lado de fora no sol, e mal dava para acreditar que alguns dias atrás eu estava morrendo de frio. Minha sopa estava gostoso, mas se não é nem o melhor da praça, não deve nem estar perto do melhor da cidade. Eles não aceitavam cartões de crédito, e eu quae fiquei sem dinheiro. De qualquer modo queria mesmo acabar com meu dinheiro para não ter que trocar de volta para Euros ou qualquer outra moeda. Mas ter acabado com meu dinheiro não me deixou comprar o sorvete que eu pretendia comprar depois do almoço.
Sem meu sorvete, fui andando até o Parlamento, uma parada obrigatória da cidade que tinha deixado de lado até agora. No caminho passei pela Praça da Liberdade, que era bem bonita e estava cheia de crianças brincando. Mas ao dia já estava começando a ficar feio e frio mais uma vez. Cheguei então no Parlamento, que já tinha visto de longe do morro de Buda, mas que de perto era monumental e muito bonito. Pretendia visitar ele por dentro, mas não haviam mais ingressos para hoje. Eu nem sabia que isso era possível, mas não fiquei decepcionado. Tenho certeza que por fora ele é mais bonito mesmo. Dei uma volta por fora, tirei algumas fotos, e então fui embora. Peguei o metrô até a Praça dos Heróis e o parque da cidade, onde pretendia passar o resto do dia. Saltei bem em frente do Monumento do Milênio, que é um marco da cidade e bem bonito, e então fui dar uma volta no parque. O parque era bem bonito, e lá dentro ficava um castelo em frente de um lago (que estava seco), muito lindo. Mesmo sendo muito bonito, não queria perder muito tempo já que tinha vindo até aqui para visitar os museus. De um lado do monumento do milênio fica o Museu de Belas Artes, e do outro o Museu de Arte Contemporânea.
Comecei com o museu de belas artes, para o qual eu tinha um pequeno desconto com o panfleto que tinha pegado de manhã. Ele era bem melhor do que eu estava imaginando, e tinha obras dos maiores artistas da Europa, incluindo meus favoritos. Tinha muita coisa boa, e mesmo ficando algumas horas lá, eu acabei não conseguindo ver tudo. Aparentemente iria acontecer um evento lá, já que estavam arrumando mesas, cadeiras, comidas, músicos, e etc. Pena que eu não estava convidado. Atravessei então para o museu de arte contemporânea, que para a minha sorte ficava aparentemente aberto até as oito da noite hoje, quinta-feira. Mas quando eu entrei as salas estavam todas fechadas e estavam arrumando o espaço para um outro evento. Haviam garçons e muitos copos no saguão. Um pouco decepcionado, mas sem perguntar e checar nada, fui dar uma volta na loja. Estava pronto para ir embora quando abriram as portas das galerias e os convidados começaram a entrar. Era a vernisage de uma nova exposição, e eu entrei no meio dos convidados, então não tive que pagar nada e pude ver a exposição, que era ótima! Ficou bem cheio, com muitos fotógrafos, gente vestida bem, e eu. A exposição tinha muita coisa boa, incluindo um trabalho que tinha adorado ver na Trienal de Yokohama alguns meses atrás. Mas eu não demorei muito lá, já que muitos trabalhos eram em vídeo, e eu ignorei estes. O trabalho que tinha visto em Yokohama também era um vídeo, mas muito bonito. Aqui ele estava apresentado em uma sala grande só para ele. Quando saí da galeria e voltei para o saguão estavam servindo varias bebidas e algumas comidas. Havia vinho tinto, rose, branco, e água com gás. Estava morrendonde sede, e mesmo odiando água com gás, foi o que tive que tomar. Também experimentei cada coisa que estavam servindo, que eram apenas uns pães com sabores diferentes. Depois de comer um de cada, fui embora, já que afinal eu não deveria estar lá.
Fui andando de volta para o hotel e no caminho parei no supermercado para comprar água. No Brasil a tampa vermelha em uma água quer dizer que ela é com gás, e a azul sem gás. Aqui não é assim, então demorei para entender qual era qual. Consegui comprar a certa, e fui então para o hotel. Entrei no quarto, deixei a garrafa d'água e outras coisas que eu estava carregando, e saí logo em seguida para ir jantar. Fui jantar no mesmo lugar que tinha ido algumas noites atrás, e pedi a mesma pizza. Hoje demorou bem menos. Em meia hora tinha pedido, comido, pagado, e andado de volta para o hotel. Lá, escrevi meus cartões postais, falei com os meus pais, usei a internet, escrevi para o blog, arrumei minhas coisas, e li meu livro.










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