Esta não era uma boa opção, então subi de volta para o quarto e descobri o número dos EUA, que liguei e consegui conectar. Expliquei o que eu precisava fazer e me disseram que por telefone não poderia resolver o meu problema, que tinha que usar a internet. Assim seria até mais fácil, se a internet do hotel não fosse a pior merda possível. Passei milênios tentando fazer ela funcionar. Para coisa que eu precisava foi uma batalha. Um e-mail: horas, entrar em um site: horas. Insuportável. Acabei conseguindo pelo telefone mesmo. Já tinha passado um tempo, mas eu ainda precisava resolver algumas coisas na internet, o que realmente me fez perder tempo. Não queria sair do hotel sem postar o blog, mas estava impossível, e tive que desitir. Mas ainda precisei tomar um banho e me arrumar, o que ainda demorou um tempo.
Tinha acordado mais cedo para poder sair mais cedo, e acabei saindo quase uma hora mais tarde que no dia anterior. Para completar, tive que esperar pelo ônibus por vinte minutos, sem contar os outros vinte para chegar em Veneza. Agora que tinha chegado na cidade tarde, não sabia nem o que fazer. O outro espaço da coleção François Pinault, o Palazzo Grassi, estava fechado há dois meses e só abria de volta em uma semena, então tive que cancelar este plano. Meu outro plano, visitar a Accademia, outro museu, foi comprometido, já que ele fechava segundas de tarde, e agora já estava tarde demais. Tinha portanto o dia todo para passear. O dia estava feio, e extremamente frio. Com a minha correria no hotel tinha esquecido de pegar um segundo casaco, e fez falta. Sempre digo que prefiro o frio, mas só quando estou agasalhado. Estava tão frio que eu precisava até de luvas. Não sei da onde veio este frio. Comecei andando na direção do grande canal, e chegando lá tive a idéia de pegar o barco público da cidade para atravessar a cidade. O preço da passagem era absurdo, e quase desisti, mas pensei duas vezes e decidi pagar. Poderia muito bem ter entrado no barco sem passagem, mas sempre tento ser honesto. Tento, porque não percebi que era para validar a passagem antes de entrar no barco, então entrei como se não tivesse pagado. Foi um ótimo passeio. Pensei primeiro em parar na San Marco, mas então decidi ir até a última parada da cidade, no bairro de Santa Helena. Ver Veneza do canal, seus palácios e construções na água, é outra coisa, outra cidade. Foi bom conhecer esta "outra cidade". O passeio todo demorou quase uma hora, já que o barco fazia várias paradas.
Quando saltei do barco dei uma passeada por Santa Halena, que nem parecia Veneza, e estava tão vazio por lá que era como uma cidade fantasma. Foi legal passear por lá, mas como não tinha absolutamente nada para fazer, foi rápido. Cmecei então a voltar até a Piazza San Marco. No caminho fui visitar o Arsenale, um prédio militar da cidade. Tinha começado a esquentar um pouco quando cheguei na San Marco. Lembrei então de algumas coisas que eu precisava fazer, e fui atrás delas. Precisava comprar cartões postais, selos, e passar em uma farmácia. Comecei a atravessar a cidade toda a procura do que eu precisava, e foi bem difícil. Todos os correios estavam fechados, e misteriosamente as farmácias estavam 99.9% fechadas. Quando finalmente achei uma farmácia aberta eles não tinham o que eu estava procurando. Acabei atravessando a cidade toda de volta, até a parada dos ônibus. De lá andei até um lugar que tinha visto no dia anterior onde queria comprar os cartões postais. Comprei, e em uma tabacaria consegui os selos. Ainda precisava achar uma farmácia, e comecei a atravessar a cidade toda mais uma vez, por um caminho diferente. Acabei achando uma outra farmácia aberta, mas eles também não tinham o que eu precisava. Quando acabei de atravessar a cidade pela terceira vez no dia voltei até a primeira farmácia que tinha encontrado aberta e comprei uma variedade do que eu estava procurando. Assim, tinha resolvido tudo que eu precisava. Durante este tempo todo que tinha passado o dia tinha milagrosamente ficado lindo, e não estava tão mais frio. Passei o resto do tempo que eu tinha do dia na Piazza San Marco e seus arredores. Tinha decidido que de lá pegaria o barco mais uma vez (já que não tinha gastado minha passagem), atravessar a cidade de volta, e jantar perto da parada de ônibus. Foi exatamente o que fiz. Antes de pegar o barco dei mais uma volta pela San Marco, para dar uma última olhada nela, e então fui embora.
Peguei o barco, um diferente, que fazia menos paradas, e o que tinha demorado quase uma hora de manhã demorou apenas vinte minutos. Agora que o dia estava mais bonito, foi um passeio melhor, e um bom jeito de me despedir de Veneza. Que cidade. Saltei perto da estação de trem, e procurei algum lugar para jantar. Acabei escolhendo um lugar simples, mas que parecia bom, e comi bem. Quando saí de lá ainda nem estava escuro, e eu comprei o meu sorvete do dia logo ao lado. Cheguei na parada dos ônibus, e o que eu precisava tinha acabado de sair, então tive esperar uns quinze minutos para o próximo. Dentro do ônibus havia um grupo de meninos que criaram vários problemas, com outros passageiros e com o motorista. Por pouco eles não foram expulsos. Fiquei feliz deles não se meterem comigo. Quando cheguei no hotel, escrevi meus cartões postais, escrevi para o blog, e li meu livro. Usei um pouco de internet, mas só o que ela me permitiu antes de ficar completamente inútil.











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