Monday, May 7, 2012

Berlim - Dia 4.

Quando acordei faltavam três minutos para o meu despertador tocar. Levantei assim mesmo, desliguei o despertador antes dele tocar, e me arrumei para tomar café. Eu como sempre as mesmas coisas, na mesma ordem, e na mesma quantidade. Quando consigo, também sento no mesmo lugar. Também estou sempre vestido exatamente igual (tirando minhas meias e cuecas), já que desço com a camisa do pijama. Imagino o que as pessoas pensam de mim, e não ligo a mínima. Sei que sou louco, e não ligo. Depois de comer, voltei para o quarto e usei a internet. Tentei fazer apenas o que eu precisava, para não perder muito tempo e tentar sair cedo do hotel. Depois de tomar um banho e me arrumar, consegui sair exatamente na hora que eu queria. Todos os dias quando saio do hotel eu passo em frente da Neue Nationalgalerie, um dos museus mais importantes da cidade, mas não estava planejando em visitá-lo. Tinha dois motivos para isso: o tamanho da fila que via todos os dias, e a exposição que está acontecendo. A exposição é a mesma do Gerhard Richter que tinha visto em Londres. Mas meu pai disse que eu não poderia deixar de ir neste museu, independente da exposição, apenas para apreciar suas arquitetura. Era isso que eu faria esta manhã.

Andei até o museu, e quando cheguei a fila estava gigante como nos outros dias, talvez até maior. Mas descobri duas coisas importantes quando cheguei lá. Uma era que além da exposição do Richter eu poderia ver a coleção permanente, e a outra era que para a coleção permanente não teria que pegar a fila. Perfeito. Mas para comprar meu ingresso sem pegar a fila tive que andar até um outro museu que ficava perto. Fui até lá, onde não tinha fila alguma, comprei meu ingresso, e voltei para a Neue Nationalgalerie. O projeto arquitetônico do museu é do Mies Van der Rohe, que foi um dos diretores da Bauhaus, e é realmente bem bonito. O projeto original era de um prédio que seria construído em Cuba, mas este projeto foi cancelado e ele pode usá-lo para a Neue Nationalgalerie, com algumas modificações. Este foi o seu último projeto completado antes de sua morte em 1969. A coleção permanente estava mostrando uma seleção de suas obras de 1945 até 1968. É a segunda parte de uma "trilogia" de exposições que estão acontecendo desde 2010 para mostrar sua coleção toda. Esta segunda parte se chamava "Divided Heaven", e era ótima. Era tão boa que eu acabei ficando muito mais tempo lá do que esperava.

Assim que saí olhei para o tempo feio e percebi que tinha esquecido meu guarda-chuva na chapelaria, onde me obrigaram a deixá-lo. Que bom que percebi, ou então teria perdido ele, já que no dia seguinte o museu estaria fechado e logo em seguida eu iria embora. Depois de recuperar meu guarda-chuva, comtinuei meu dia. O resto da tarde estava reservada para outro museu, o Hamburger Banhof - Museum für Gegenwart. Ele não era nada perto, mas para chegar lá de metrô eu teria que pegar três metrôs diferentes, o que daria trabalho. Resolvi então ir andando, já que eu iria acabar demorando o mesmo tempo, e seria de graça. Fui andando com pressa, e acabei chagando lá cinco minutos depois do que eu esperava, mas apenas por ter parado algumas vezes para fotos. No caminho tinha passado pela calçada da fama de Berlim, que nem sabia que existia. O museu estava com uma fila que eu não estava esperando, e isso me fez começar a visita mais tarde do que eu esperava. Comecei a visitar com calma, mas um tempo depois percebi que o museu era bem maior do que eu imaginava, e tive que dar uma acelerada para conseguir ver tudo. Mesmo com um pouco de pressa, vi o museu todo, e só saí quando ele fechou. É um ótimo museu, e fica difícil de escolher o que eu mais gostei, mas uma coisa que realmente se destacou foi o trabalho do artista chinês Qiu Shihua. Quando cheguei na sala onde estava acontecendo sua exposição só conseguia ver telas brancas, todas brancas, e achei ridículo. Mas então comecei a prestar atenção nas telas, e comecei a perceber elas na verdade esta em longes de ser vazias, e eram todas paisagens. Não sei explicar direito como, mas ao ficar acostumado com os quadros, as coisas iam aparecendo. Dependendo do ângulo que se via cada tela, mais coisas se destacavam. Era quase como uma ilusão de ótica. Um momento as paisagens estavam lá, e logo em seguida desapareciam de novo. Achei incrível!

Ao sair do museu fui andando com calma tudo que tinha andado mais cedo. No caminho parei na estação de trem e passei um tempo em uma Virgin Records Store que ficava lá dentro. Chegando de volta no centro comecei a procurar o quê comer, e no final acabei comendo no shopping perto do meu hotel. Só comi lá porque depois queria pedir um sorvete em um lugar que parecia bom. Depois de jantar um prato típico de Berlim (em um restaurante americano), comprei o sorvete, gigante, e fui comendo andando para o hotel. Pedi tanto sorvete que comi o caminho todo e ao chegar no hotel ainda não tinha acabado. E o pior é que nem era tão bom quando eu queria que fosse. A casquinha era a melhor parte, era boa de verdade. No hotel, passei mais uma noite como muitas outras.

Falta exatamente um mês da minha viagem. Mal dá para acreditar que já estou viajando há nove meses. Que em nove meses não vejo a minha casa, dormo na minha cama, vejo meus amigos, como comida caseira, e tantas outras coisas que não fiz nestes nove meses. Mesmo minha viagem sendo a melhor coisa que já fiz na minha vida, e que provavelmente vou ter feito até o final, estou muito feliz que ela está acabando. Adoro todos os meus dias, mas estou contando os dias para voltar para casa. Que esse dia chegue logo. E então, terei outras viagens para aguardar com ansiedade. Um mês deve passar rápido.




















No comments:

Post a Comment