Quando consegui comprar minha passagem o próximo ônibus saía em quase uma hora. Desci para de onde o ônibus sairia, e me sentei no banco mais perto que encontrei, que não era bem em frente. Com a passar do tempo uma multidão começou a se reunir de onde o ônibus sairia, um grupo maior do que caberia em um só onibus. Mas não imaginei que isso seria um problema já que eu estava com a minha passagem, que mesmo não tendo um lugar marcado, era só o que eu precisava. Mas então o "ônibus" chegou, e esse "ônibus" era sim uma mini-van. Corri para ela e me meti no meio da multidão. Mas então comecei a ver algo estranho. As pessoas estavam todas sem passagens, e comprando na hora com o motorista. Olhando ao redor vi que haviam outros com passagens, mas os que estavam entrando estavam todos sem passagem. E então, sem mais nem menos, encheu. Não podeis deixar isso barato, cortei na frente de algumas pessoas e comecei a mostrar para o motorista que eu já tinha minha passagem e que eu iria entrar no ônibus de maneira alguma, e entrei. Entrei e ainda ajudei um grupo de espanhóis que estavam bem atrás de mim, então além da capacidade entraram mais quatro. Haviam apemas vinte pessoas sentadas, e treze em pé. Se eu não tivesse entrado teria que esperar mais uma hora, para ter chances de acontecer a mesma coisa. Muitos ficaram para trás, incluindo duas japoneses que tinham comprado a passagem antes de mim.
Foram mais de uma hora de viagem de eu fiquei apertado como uma sardinha. O motorista era um polonês gordo que estava suando e no meio da viagem começou a fumar, com uma placa de "proibido fumar" bem em cima dele. Fui um saco de viagem, mas tudo bem. Chegando na área do ex-campo que hoje é um museu, entrei e fui direto comprar minha entrada. Visitar o campo é gratuito, mas tem uma pegada. Se você não estiver já com um guia, teria que pagar para se juntar a um grupo com guia. Peguei a fila para comprar minha entrada, e o próximo grupo em inglês saía em quinze minutos. Se eu perdesse esse teria que esperar mais uma hora, então não poderia perder de maneira alguma. A fila estava super devagar, e todos ficavam fazendo perguntas idiotas para a caixa. Só consegui meu ingresso no exato momento que o grupo guiado saiu, mas eu saí correndo atrás deles e não perdi nada já que eles ainda estavam arrumando microfones e fones. Acho que eu prefiro não explicar e mencionar tudo o que vi, já que é tudo muito intenso. Mas foi uma das piores sensações que já tive. É um sofrimento inimaginável, produzido por uma maldade incalculável. Depois de visitar Aushwitz I, onde fica o museu em sí, pegamos um ônibus rápido até Auschwitz II - Birkenau. O primeiro tem 6 hectares, e o segundo é muito maior, com 170.
O tour todo levou três horas e meia, e foi ótimo. Aprendi muito, e vi coisas que certamente me marcaram. Ao final do tour pegamos o ônibus de volta para Auschwitz I, e de lá eu teria decidir o que fazer em seguida. Estava preocupado com não conseguir um ônibus, mas falando com algumas pessoas, descobri que era possível voltar de trem. Eu e mais um casal do meu grupo nos juntamos a mais um senhor do um outro grupo que tinha vindo de trem, e fomos todos para a estação, que era a quase dois quilômetros de distância. Começamos a conversar e nos conhecer um pouco, e todos eram muito simpáticos. O casal era da Romênia, e o senhor da Suécia. Segundo ele havia um trem a cada hora de volta para Cracóvia, mas quando chegamos na estação vimos no mural que o próximo só saia de lá as sete e meia da noite, em quase duas horas. "Que roubada que eu me meti", pensei. O casal então sugeriu perguntarmos para um taxi quanto ele cobrariam para nos levar de volta para a cidade, e fizemos isso. Dividido entre nós quatro não seria caro, e certamente seria mais rápido e confortável. Mas mesmo não sendo caro, era cinco vezes mais caro (para cada) do que eu tinha pagado pelo ônibus até lá. No final o meu pão-durismo influenciou todos, e nós voltamos para a estação de trem. Fomos até a bilheteria e descobri os que poderíamos pegar dois trens, e que o primeiro já saía em vinte minutos. Esta seria a nossa opção, e foi ainda mais barato do que o ônibus tinha sido.
Nos vinte minutos que tínhamos fomos até um mínimo restaurante e nós nos sentamos e ficamos conversando. Embarcamos então no trem, e passamos a viagem toda conversando. Eles eram muito legais. Saltamos então na parada omde teríamos que trocar de trem, e além de nós, vi muitas caras conhecidas por lá, incluindo o grupo de espanhóis que eu tinha ajudado no começo do dia (e que até agora não tinham me agradecido). Tínhamos mais um tempo até o segundo trem e nós fomos até um mercado onde meus companheiros compraram algumas coisas, e ao lado o senhor comprou um Kebab para comer no segundo trem. Passamos a segunda viajem conversando mais ainda, mas por um bom tempo a conversa foi na direção política, e eu fiquei apenas escutando. De qualquer modo aprendi algumas coisas. Falamos pouquíssimo sobre as coisas medonhas que tínhamos visto em Auschwitz. A vigem no total foi de mais de duas horas, mas no final tinha sido divertido. Foi bom conhecer algumas pessoas. Em Cracóvia o casal se separou de nós para comprar passagens de trem para o programa que eles estavam planejando fazer no dia seguinte. Eu então andei com o senhor até o se hotel, que era no caminho do meu, e então nos despedimos. Não sei o nome de nenhum deles, nunca trocamos nomes. Sempre acho isso curioso.
Só tinha tomado café o dia inteiro, e já estava tarde, então andei para o centro e comi em um lugar que tinha visto no dia anterior, um lugar da Nova Zelândia de hamburgers. Fiquei super cheio, e então fui para o hotel. Estava muito mais tarde do que eu imaginava que iria voltar, então usei rapidamente a internet para ainda ter tempo de escrever para o blog e ler meu livro antes de dormir.






No comments:
Post a Comment